
A cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, registrou em 2025 o maior valor médio de metro quadrado entre as capitais brasileiras. É o que aponta o Índice FipeZAP divulgado em janeiro deste ano.
O preço médio dos imóveis prontos alcançou R$ 14.108/m². O movimento é reflexo da alta demanda pós-pandemia, combinada à geografia limitada da cidade e aos avanços em infraestrutura urbana e qualidade de vida.
Qualidade de vida e trabalho remoto impulsionam valorização
De acordo com Paula Reis, economista do Grupo OLX, os imóveis na capital ganharam atratividade na busca por cidades que oferecem maior qualidade de vida. “Naquele período, características como proximidade com a natureza passaram a ser muito desejadas. Isso favoreceu o mercado imobiliário da região”, explicou a especialista à Gazeta do Povo.
Além disso, fatores como o trabalho remoto, taxas de juros historicamente baixas e a melhoria da infraestrutura urbana da cidade contribuíram para elevar os preços. Segundo Reis, a falta de terrenos disponíveis nas zonas mais valorizadas de Vitória, marcadas por condomínios verticais, também pressiona os valores para cima.
Outro ponto destacado pela economista é a melhoria dos indicadores econômicos em 2025, com a queda do desemprego e o aumento da renda média nacional. “As áreas mais verticalizadas da cidade são também as mais nobres, o que acaba elevando o preço médio dos imóveis analisados pelo índice”, disse.
Mercado reflete nicho de alto padrão em Vitória
Para Alexandre Schubert, presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), porém, é importante contextualizar os números. O Índice FipeZAP calcula os preços médios com base em anúncios, e não nas transações efetivas.
“A cidade não tem empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), e os cerca de 7,6 mil anúncios analisados estão concentrados nas áreas mais valorizadas da capital”, destacou Schubert.
Schubert observa ainda que as áreas mais premium da cidade, como a Enseada do Suá, com valor máximo de R$ 17.600/m², ainda estão abaixo de bairros de luxo de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo ou Curitiba.
“Os imóveis em Vitória se valorizam de forma racional, sem grandes picos ou quedas, o que torna o mercado seguro para investidores e moradores”, acrescentou o dirigente.
Desenvolvimento urbano fortalece a economia da capital
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolin, atribui os resultados do ranking ao planejamento estratégico da cidade. Segundo ele, a capital tem investido em infraestrutura, educação, saúde, segurança e tecnologia.
Ele cita que Vitória “tem um dos processos mais ágeis do Brasil para abertura de empresas e lidera, no Sudeste, o ranking de menor tempo para formalização de novos negócios, de acordo com o Centro de Liderança Pública (CLP)”.
Para Pazolini, equilibrar organização urbana e sensibilidade social será essencial para conter os desafios gerados pela valorização imobiliária. “Os indicadores de valorização urbana refletem organização e desenvolvimento, mas sabemos que esse cenário exige equilíbrio e sensibilidade social”, concluiu.
*Com informações de Gazeta do Povo







