Veja o resumo da notícia

  • Fraude imobiliária em Jurerê Internacional, Florianópolis, causou prejuízo de R$ 12 milhões por uso indevido de conta Gov.br.
  • Criminosos acessaram o login da vítima e usaram a assinatura digital para incluir o proprietário de um terreno como sócio de uma transportadora.
  • O terreno foi integralizado ao capital social da empresa e vendido rapidamente a terceiros por valores abaixo do mercado.
  • A Polícia Civil desarticulou a quadrilha com 18 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão temporária em sete municípios.
  • Especialistas apontam que o comprometimento das credenciais, por phishing ou engenharia social, é a hipótese mais provável para o acesso indevido.
  • Além do acesso digital, o grupo usava procurações falsificadas, supostamente emitidas por cartórios do Ceará, para lavrar escrituras públicas.
  • Para reduzir o risco de fraude, recomenda-se não compartilhar senhas, ativar a verificação em duas etapas e migrar a conta Gov.br para nível ouro.
  • O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos afirmou que não há registros de invasões ou vazamentos na plataforma Gov.br.
fraude imobiliária Gov.br
APStock/iSTock

Uma fraude imobiliária envolvendo uso indevido de uma conta Gov.br causou prejuízo estimado em R$ 12 milhões em Jurerê Internacional, bairro nobre de Florianópolis. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, criminosos acessaram o login da vítima e usaram a ferramenta de assinatura digital para incluir o proprietário de um terreno como sócio de uma transportadora sediada no Ceará.

Depois disso, o terreno foi integralizado ao capital social da empresa e vendido rapidamente a terceiros por valores abaixo do mercado. A investigação identificou que o grupo negociou cinco propriedades de luxo, noticia reportagem do Estadão.

Operação cumpriu mandados em sete municípios

A Polícia Civil desarticulou a quadrilha após cumprir 18 mandados de busca e apreensão domiciliar e dez de prisão temporária. As ações aconteceram em sete municípios: Boa Vista, Brejo de Areia, Caucaia, Fortaleza, Manaus, Goiânia e Trindade.

Os investigados responderão por estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem chegar a 21 anos de reclusão e multa.

Especialistas apontam comprometimento de credenciais

A polícia não informou como os criminosos entraram no Gov.br da vítima. Especialistas ouvidos pelo Estadão apontam como hipótese mais provável o comprometimento das credenciais, por phishing, engenharia social ou outros meios fraudulentos.

Carlos Tatara, diretor de tecnologia da Bry, afirmou que não houve hackeamento da plataforma. Segundo ele, o sistema permitiu acesso e assinatura porque quem operava possuía as chaves corretas, embora obtidas de forma ilícita.

Procurações falsas também foram usadas

Além do acesso digital, o grupo teria usado procurações falsificadas, supostamente emitidas por cartórios do Ceará, para lavrar escrituras públicas. Então, concluíam vendas sem conhecimento das vítimas.

De acordo com o delegado Osmar Carraro, os criminosos atuavam de forma estruturada. Primeiro combinando invasões digitais e uso indevido de assinaturas eletrônicas. Depois, falsificando documentos para transferir e vender imóveis.

Como reduzir o risco de fraude

O Gov.br tem mais de 176 milhões de usuários. Para diminuir riscos, especialistas recomendam não compartilhar senhas e evitar reutilizar a senha do Gov.br em outros serviços. Também é necessário migrar a conta para nível ouro, ativar a verificação em duas etapas e redobrar o cuidado com links e mensagens suspeitas.

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos afirmou que não há registros de invasões ou vazamentos na plataforma Gov.br . Segundo o órgão, a assinatura não pode ser usada nos atos de transferência e registro de bens imóveis. Vítimas de suspeita de fraude devem registrar boletim de ocorrência.

*Com informações de Estadão

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.