Veja o resumo da notícia

  • A inteligência artificial já é utilizada em diversas etapas do mercado imobiliário, da incorporação à decisão de compra.
  • Um caso da Forbes mostrou como o ChatGPT influenciou a decisão de compra de um imóvel de US$ 50 milhões.
  • A Zillow, pioneira no uso de IA, teve sucesso com estimativas de valor, mas fracassou com a compra e revenda direta de imóveis.
  • Empresas como GetHome e Morada.ai usam IA para previsibilidade de obras e atendimento hiperpersonalizado.
  • Especialistas alertam para os riscos de vieses algorítmicos e a necessidade de governança e suporte humano na IA.
IA no mercado imobiliário
SmileStudioAP/iStock

A IA (inteligência artificial) já atua em várias etapas do mercado imobiliário, da incorporação ao atendimento e à decisão de compra. O impacto aparece tanto nas empresas, que usam modelos para vender, locar e analisar crédito, quanto para os consumidores, que recorrem a chatbots como conselheiros.

Reportagem da Forbes cita o caso relatado por Ryan Serhant, CEO da Serhant, em junho: um cliente quase desistiu da compra de uma cobertura de US$ 50 milhões, equivalente a R$ 254 milhões, após o ChatGPT indicar que o imóvel era caro demais. Ao reformular a pergunta com outro viés (perguntando se a cobertura era muito barata, em vez de muito cara), a imobiliária obteve uma resposta diferente.

Para Felipe Buchbinder, doutor em Administração pela FGV-EBAPE e mestre em Ciência de Dados pela Universidade Duke, o setor tem grande aplicabilidade para IA. Ainda assim, a compra tende a continuar híbrida. Ele diz que apenas 1% dos clientes compra imóvel quando a experiência ocorre somente via IA.

Case da Zillow

A Zillow é um dos casos mais emblemáticos de uso de IA no setor. Fundada em 2006, a companhia lançou o Zestimate no mesmo ano, oferecendo estimativas gratuitas de valor de imóveis. Ao longo de uma década, a taxa de erro mediana caiu de 14% para cerca de 4,5%.

O maior fracasso veio com o Zillow Offers, operação de iBuying lançada em 2018, que usava algoritmos para comprar e revender imóveis diretamente. O modelo, que funcionava bem em mercados estáveis, colapsou com a volatilidade da pandemia. Registrou prejuízo de US$ 421 milhões no terceiro trimestre de 2021 e foi encerrado.

Depois disso, a empresa redirecionou a estratégia para software, experiência do usuário e governança.

Previsibilidade de obra e atendimento personalizado

Na GetHome, Vinicius Bosi Nonato usa IA para reduzir a distância entre expectativa e custo real de construção ou reforma. A ferramenta permite ao cliente percorrer virtualmente a casa, escolher materiais e ver preços dinâmicos com base em dados de marketplace.

A empresa também executa a obra e compra materiais diretamente com fornecedores. Segundo a Forbes, a proposta inclui redução de custos em até 10% e mais transparência: a planilha de custos é aberta linha a linha para o cliente, enquanto parcelas futuras variam pelo INCC.

A Morada.ai, por sua vez, aposta em hiperpersonalização. A startup atende incorporadoras como MRV e Direcional. Os agentes de IA adaptam o atendimento por perfil, com uso de áudio, vídeo, dúvidas sobre financiamento e simulação.

Governança separa acertos de erros

Para Buchbinder, criar uma IA e deixá-la operar sozinha é um erro, porque preços, demanda e condições de mercado mudam continuamente.

Na próxima fase da IA, as plataformas devem ir além de adicionar inteligência a mecanismos de busca. Será necessário combinar dados especializados, fluxos completos de transação, segurança robusta e suporte humano confiável.

*Com informações de Forbes

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.