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O noticiário macroeconômico da semana aponta para forte apreensão e indefinição no mercado como um todo, o que também atinge o nosso segmento imobiliário. Do ponto de vista objetivo, a grande questão é saber qual trajetória a taxa de juros vai desenhar no ano que vem, após a surpreendente vitória do presidente Lula no pleito do mês passado.
Evidentemente, isso vai depender das escolhas que o novo governo vai fazer em termos de política fiscal e econômica. De quanto os gastos serão enxugados a ponto de permitir que o Banco Central volte a soltar as rédeas dos juros, visto que nesta semana a autoridade monetária anunciou a manutenção da Selic, a taxa básica de juros da Economia, em 13,75%, interrompendo uma sequência de quedas.
Neste momento é muito difícil fazer uma previsão minimamente confiável. Isso porque há uma série de eventos por acontecer que vão jogar luz nesse caminho. Minha sugestão às imobiliárias neste momento é que por enquanto joguem paradas, e aguardem os próximos acontecimentos para começar o planejamento.
O mais útil a fazer agora é estar bem atento aos próximos capítulos desta novela, para em seguida tomar as melhores decisões. Há ao menos uma boa notícia: as primeiras pistas deverão vir nos próximos dias. Para que vocês possam acompanhar a evolução deste cenário da melhor forma, vou elencar a seguir os principais eventos definidores dos indicadores econômicos, por ordem cronológica:
Pronunciamento do presidente Lula neste domingo: a primeira fala oficial de Lula após a vitória no segundo turno está programada para a noite de amanhã, domingo (08/11/2026), em rede nacional de rádio e televisão. É aguardado um discurso de responsabilidade fiscal. A dúvida é quanto o presidente vai concretamente adiantar medidas fiscais ou não.
Divulgação da ata da reunião do Copom deste mês: ocorrerá na terça-feira (10/11), às 8h. A ata apresentará os motivos pelos quais o Comitê de Política Monetária decidiu interromper a queda dos juros, o que vai trazer maior clareza sobre os pontos-chave que precisarão ser endereçados para uma retomada da redução das taxas.
Definição da nova equipe econômica + pacote de corte de gastos: previsto para ocorrer entre novembro e dezembro, este é o ponto mais aguardado pelo mercado. A definição dos nomes do ministro da Fazenda e de sua equipe direta será a sinalização mais objetiva de quanto o governo estará disposto a tomar, de fato, medidas significativas de corte de gastos. Elas viriam na forma de um pacote que incluiria: desindexação de benefícios; cortes de despesas obrigatórias; revisão de despesas de saúde e educação; corte de emendas parlamentares, entre outras.
Regulação da Reforma Tributária: prevista para ocorrer a partir de janeiro de 2027, a reforma tributária tem dois principais pontos críticos neste primeiro momento de implementação. O primeiro é a definição da alíquota padrão do IVA. O segundo é o efetivo funcionamento do split payment. Este último ponto traz o temor de pressão sobre o fluxo de caixa das empresas, o que se converteria em mais um vetor de retração da economia.
A partir dessas definições ficará bem mais fácil definir as estratégias específicas para cada público do mercado imobiliário. A atenção a elas é decisiva para o maior sucesso possível dos negócios nos próximos meses. Seja como for, a resiliência do nosso mercado vai perseverar mais uma vez. Essa é a única constante e certeza do nosso segmento.







