Veja o resumo da notícia

  • O prazo de venda de um imóvel afeta o resultado financeiro, com um tempo médio de 16 meses para o negócio ser fechado.
  • Manter um imóvel vazio com a Selic em 14% ao ano representa um custo de oportunidade, evidenciando o valor do tempo.
  • Aceitar descontos de 10% a 15% pode ser racional para reduzir o prazo de venda, dado o custo de condomínio, IPTU e manutenção.
  • Um exemplo mostra que recusar descontos e esperar pode resultar em perda financeira devido aos juros compostos.
  • Âncoras psicológicas, como o efeito dotação, dificultam a negociação, fazendo com que propostas inferiores pareçam perdas.
custo de esperar para vender imóvel
phakphum patjangkata/iStock

A decisão de vender um imóvel não termina na definição do valor anunciado. O prazo até a assinatura do negócio também afeta o resultado financeiro. A coluna de Michael Viriato, na Folha, usa como referência um tempo médio de 16 meses, atribuído à Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), para mostrar como a espera pode consumir parte relevante do patrimônio.

Essa régua não determina o prazo de cada imóvel, que varia conforme localização, conservação, preço e demanda.

Juros elevam o custo de oportunidade

Com a Selic em 14% ao ano desde agosto, manter um imóvel vazio significa abrir mão do retorno que o capital poderia gerar. Na simulação apresentada, R$ 1 milhão aplicados a 14% ao ano chegariam a aproximadamente R$ 1,19 milhão em 16 meses. O cálculo não equivale a uma perda certa de R$ 190 mil: a taxa pode cair, o imóvel pode valorizar e o rendimento líquido seria menor. Ainda assim, a conta evidencia o valor do tempo.

Desconto pode ser uma decisão racional

Condomínio, IPTU e manutenção aumentam o custo de carregar um imóvel sem renda. Por isso, aceitar um abatimento de 10% ou 15% pode fazer sentido quando ele reduz de forma relevante o prazo da venda. Os descontos têm sido comuns. O Raio-X FipeZAP do primeiro trimestre de 2026 mostra que 67% das transações tiveram desconto. Entre os negócios fechados abaixo do valor anunciado, o abatimento médio foi de 13%.

Exemplo mostra o efeito dos juros compostos

A coluna relata o caso de um proprietário que pediu R$ 1,5 milhão, recusou descontos e levou cinco anos para vender pelo preço desejado. Se tivesse aceitado R$ 1,2 milhão no início e obtido retorno de 10% ao ano, chegaria a cerca de R$ 1,93 milhão no fim do período. A diferença para os R$ 1,5 milhão recebidos depois seria próxima de R$ 430 mil, antes de condomínio, impostos e manutenção. Trata-se de uma simulação, não de garantia de retorno.

Âncoras psicológicas dificultam a negociação

O efeito dotação leva o proprietário a atribuir mais valor ao que possui, enquanto o preço anunciado vira uma âncora. Assim, uma proposta inferior parece uma perda, embora o valor pedido ainda seja apenas uma expectativa.

A análise adequada compara o dinheiro disponível para investir hoje com o valor provável de uma venda futura, descontando custos, valorização potencial e incerteza. Nem todo desconto compensa, mas toda espera tem um preço.

*Com informações de Folha de S.Paulo

Nathalia Costeira

Editora da newsletter

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.

Editora da newsletter do Portas e coordenadora de relações públicas da Loft. Jornalista especializada em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, atua há mais de dez anos em Comunicação Corporativa, tendo passagens por agências de comunicação, como Máquina Cohn & Wolfe, e empresas, como Grupo Carrefour Brasil, Grupo Pão de Açúcar e Marisa. Anteriormente, atuou como repórter no Sistema A Tribuna de Comunicação, que reúne os jornais A Tribuna de Santos e Expresso Popular, o portal G1 Santos e Região e a TV Tribuna, afiliada da TV Globo.