Veja o resumo da notícia
- Instituições financeiras negociam com o Banco Central ajustes nas regras do novo modelo de financiamento imobiliário.
- O principal ponto de atrito é o limite de 12% ao ano nos financiamentos de imóveis de até R$ 2,25 milhões.
- O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) destinou R$ 67,2 bilhões à compra de imóveis no primeiro semestre.
- O novo modelo ampliou os recursos do SBPE, mas o mercado de média e alta renda continua pressionado.
- O desenho do modelo permite que bancos compensem o custo do financiamento, mantendo um spread positivo.
- A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) defende a manutenção das condições atuais do financiamento.

Instituições financeiras negociam com o Banco Central ajustes nas regras do modelo iniciado gradualmente em outubro de 2025. A implementação integral está prevista para janeiro de 2027. O principal ponto de atrito é o limite de 12% ao ano nos financiamentos de imóveis de até R$ 2,25 milhões. Segundo os bancos, manter essa taxa é difícil com a Selic em 14% ao ano. Mas entidades imobiliárias resistem a mudanças e a um possível adiamento.
Setor aponta avanço no funding
Entre janeiro e junho, o SBPE destinou R$ 67,2 bilhões à compra de imóveis, alta de 12% na comparação anual. Em 2025, o valor emprestado havia recuado 6%. O crédito da poupança para obras avançou 107%, para R$ 26,5 bilhões, após queda de 30% no ano anterior. Para as incorporadoras, esse funding reduz a dependência de captações mais caras no mercado de capitais.
O novo modelo de crédito imobiliário ampliou os recursos do SBPE, mas o mercado de média e alta renda continua pressionado. No primeiro semestre de 2026, as vendas desses segmentos caíram 3,2% ante igual período de 2025, para 112,5 mil unidades. No conjunto do mercado, as vendas de imóveis novos cresceram 5,4%, sustentadas pelo Minha Casa, Minha Vida, que usa recursos do FGTS e segue outra lógica de financiamento.
Regra permite compensar o custo do financiamento
O desenho autoriza o banco a liberar para outras modalidades de crédito um valor equivalente ao financiado ao comprador dentro do teto. Essas operações adicionais podem ter taxas livres. Ely Wertheim, diretor-executivo do Secovi-SP, afirma que o mecanismo mantém um spread positivo para as instituições.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também defende a manutenção das condições atuais. Ao Valor, Tainan Costa, do UBS BB, aponta a Selic como o principal freio ao apetite dos bancos e ao poder de compra das famílias. O Banco Central não comentou as negociações citadas pela reportagem do jornal.
*Com informações de Valor Econômico







