Veja o resumo da notícia

  • Potencial de expansão do crédito imobiliário brasileiro atrelado a reformas estruturais e modernização do mercado financeiro.
  • Necessidade de ampliar a securitização do crédito imobiliário para impulsionar o crescimento do setor e diversificar as fontes.
  • Crédito imobiliário brasileiro ainda pouco desenvolvido em comparação a outros países, com alta dependência de subsídios.
  • Redução da taxa Selic como fator de estímulo ao setor imobiliário, dependendo da política fiscal e do cenário global.
  • Brasil em posição favorável para atrair investimentos estrangeiros devido a exportação de commodities e juros elevados.
Para Vescovi, do Santander, queda da Selic pode acelerar para nível de 10% ao ano com ajuste fiscal mais intenso - Foto: Divulgação
Para Vescovi, do Santander, queda da Selic pode acelerar para nível de 10% ao ano com ajuste fiscal mais intenso - Foto: Divulgação

O Brasil tem potencial para expandir significativamente o mercado de crédito imobiliário, que hoje gira em torno de 10% do Produto Interno Bruto (PIB), para patamares próximos a 30%, caso avance em reformas estruturais, avalia a economista-chefe do Santander, Ana Paula Vescovi. Segundo ela, o salto depende de medidas como a ampliação da securitização do crédito, uso mais intensivo de dados para precificação de risco e simplificação regulatória.

“A questão que se coloca não é só entre sair do crédito subsidiado [pela poupança ou FGTS] ou reduzir a taxa Selic. Sem securitizar o crédito imobiliário não vamos conseguir dar esse salto. O que conseguimos parcialmente por instrumentos como LCIs e CRIs já dá sinais de esgotamento”, afirmou Vescovi durante a Convenção Loft/Portas 2026, que aconteceu na quarta (15) e quinta (16), em São Paulo.

A economista explica que, hoje, dois terços do crédito imobiliário são subsidiados, sobretudo por recursos da poupança e do FGTS. Assim, o volume de recursos emprestados no setor, que somou R$ 225 bilhões no ano passado, acaba “preso” no próprio segmento, sem poder ser reempacotado em instrumentos financeiros que, por sua vez, poderiam impulsionar ainda mais o crédito imobiliário.

Enquanto o crédito imobiliário representa cerca de 64% do PIB no Canadá e 28% do PIB no Chile, o Brasil ainda opera com um mercado relativamente pouco desenvolvido. Para ela, a combinação de melhorias institucionais e redução estrutural do custo de capital pode destravar esse crescimento ao longo dos próximos anos.

Perdeu a Convenção Loft/Portas ou quer relembrar? Veja tudo o que aconteceu:

Queda da Selic pode impulsionar o setor imobiliário

No curto prazo, o ciclo de queda da taxa básica da economia, a Selic, pode destravar negócios no setor. A economista-chefe do Santander avalia que a Selic pode recuar para a faixa de 10% até 2027 se o país avançar na sinalização de um plano de ajuste fiscal mais consistente.

O cenário-base atual da economista, no entanto, prevê recuo mais tímido da Selic, saindo de 14,75% para cerca de 12% ao ano, ritmo que ainda depende de confirmação, a depender da evolução dos conflitos no Oriente Médio e da condução da política fiscal ao longo de 2026.

“A taxa de 14,75% ao ano é contracionista, mas vai se normalizar, ainda que possa demorar mais do que o esperado. Só o ciclo de redução dos juros já traz mais oportunidades para a economia e o setor imobiliário”, disse.

Cenário global e oportunidades para o Brasil

Desde a pandemia, explica Vescovi, houve um ciclo relevante de encarecimento dos juros no mundo, com taxas praticamente dobrando nas principais economias, em um ambiente mais inflacionário marcado por choques de oferta, reorganização de cadeias produtivas e maior fragmentação geopolítica.

Apesar disso, o Brasil aparece relativamente bem posicionado para atrair fluxos internacionais. O país se beneficia da condição de exportador de commodities, especialmente petróleo, além de apresentar inflação em trajetória mais benigna e juros ainda elevados, o que sustenta o diferencial de retorno para investidores estrangeiros.

Jornalista Hugo Passarelli
Hugo Passarelli

É jornalista com mais de 15 de anos de experiência em grandes veículos, como o Estado de S.Paulo e Valor Econômico. Acredita que morar bem pode estar a um clique de distância. Colabora com o Portas como jornalista autônomo, contribuindo com reportagens e análises sobre o setor imobiliário.

É jornalista com mais de 15 de anos de experiência em grandes veículos, como o Estado de S.Paulo e Valor Econômico. Acredita que morar bem pode estar a um clique de distância. Colabora com o Portas como jornalista autônomo, contribuindo com reportagens e análises sobre o setor imobiliário.