Veja o resumo da notícia
- Incorporadoras listadas registram crescimento em lançamentos e vendas no primeiro trimestre de 2026.
- Aumento do petróleo Brent gera preocupação com a pressão sobre os custos gerais da construção civil.
- Variação nos preços de insumos como cimento, aço e revestimentos impacta diretamente a produção.
- Índice Nacional de Custo da Construção aponta alta significativa em mão de obra e materiais.
- Dificuldade em mensurar o impacto total do petróleo nos custos devido à complexidade da cadeia de suprimentos.
- Empresas com forte atuação no Minha Casa, Minha Vida enfrentam maior exposição devido a preços fixos.
- Novas faixas de renda e tetos de preço no programa MCMV podem afetar as margens de lucro futuras.

As incorporadoras listadas na bolsa de valores registraram mais lançamentos e vendas no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Levantamento feito pelo Valor com prévias operacionais de 14 empresas aponta alta de 2,6% no valor lançado e de 16,8% nas vendas líquidas. O cenário externo, porém, passou a preocupar por causa da pressão do petróleo sobre os custos da construção.
Materiais de construção entram no radar
Segundo o Citi, o petróleo Brent subia quase 41% até quarta-feira (22) desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro. O insumo responde por 40% dos custos de produção do cimento e também afeta materiais como aço e revestimentos.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumula alta de 5,81% em 12 meses até março. No período, a mão de obra subiu 9,04%, enquanto materiais e serviços avançaram 3,55%.
“Uma preocupação nossa e acreditamos que também do mercado é que o problema está no petróleo, e é muito difícil para nós ou para as próprias incorporadoras mensurar o efeito no custo total, porque você tem diversos fornecedores”, afirma Piero Trotta, analista do Citi, ao Valor.
Minha Casa, Minha Vida e margem das construtoras
O banco avalia que as empresas com maior atuação no Minha Casa, Minha Vida (MCMV) podem ser as mais expostas. Nesse segmento, o preço da unidade não é atualizado após a venda, mesmo com a obra ainda em andamento.
“E ainda tem dois anos para construir, em cenário de custos bem diferente do que se imaginava em janeiro”, explica André Mazini, do Citi. “Pode contratar resultados de margem bruta piores.”
As cinco principais incorporadoras do Minha Casa, Minha Vida ampliaram as vendas em 16,9% no primeiro trimestre deste ano. No mesmo contexto, entraram em vigor na quarta-feira (22) novas faixas de renda e novos tetos de preço do programa, com limite de até R$ 400 mil na faixa 3 e de R$ 600 mil na faixa 4.
*Com informações do Valor







