Veja o resumo da noticia

  • Famílias em MG e GO sofrem calotes após investir em terrenos atrelados a CRIs do Banco Master, com promessas não cumpridas.
  • Em Jataí, compradores do Residencial Imperial não receberam os lotes, levando ao cancelamento da licença pela prefeitura.
  • Investigação do Banco Central aponta desvio de recursos de CRIs para fundos ligados à Reag e ao Banco Master.
  • Esquema de CRIs inflava indicadores do Banco Master, atraindo investidores sem impacto real nas obras ou na economia.
  • Em Teófilo Otoni, loteamento da Gran Viver foi paralisado na fase de pavimentação, deixando famílias prejudicadas.
  • MPF e PF investigam uso de terrenos como fachada para movimentações financeiras, com CRIs sob suspeita de R$ 1 bilhão.
calote CRI Banco Master
Imagem: bigjom/iStock

A promessa de segurança financeira ao adquirir terrenos em localidades emergentes levou diversas famílias em Minas Gerais e Goiás a enfrentarem calotes ligados à crise do Banco Master. Elas investiram em loteamentos usados como lastro para Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) emitidos pelo Master. Porém, as benfeitorias prometidas para os empreendimentos não saíram do papel, e agora os prejudicados buscam por reparação na Justiça..

Um exemplo é o Residencial Imperial, em Jataí, a 320 km de Goiânia. De acordo com reportagem do jornal O Globo, em 2022, Wagner e Paola adquiriram o lote 18 por R$ 87 mil, com parcelamento de 12 anos. Outro casal, Ráfiton e Ana Cláudia, deu R$ 1,4 mil de entrada por um terreno de R$ 73 mil. Em comum, eles compartilham o fato de nunca terem recebido os imóveis. Em abril de 2023, a prefeitura de Jataí cancelou a licença do loteamento devido à falta de obras.

Segundo investigação do Banco Central, empresas responsáveis pelos empreendimentos, como a Gran Viver Urbanismo, captaram milhões com a emissão de CRIs. No entanto, os recursos, que deveriam ser aplicados nas obras, foram direcionados para fundos ligados à gestora Reag e ao Banco Master, ambos posteriormente liquidados pelo Banco Central.

Como funcionava o esquema?

Os CRIs, registrados como ativos pelos fundos do banco, inflavam os indicadores financeiros do Master, usados para atrair investidores. Os papéis eram lastreados na venda de terrenos e deveriam financiar as obras. No entanto, o capital girava em um sistema fechado, sem gerar impacto real na economia ou entregar os projetos prometidos.

Em Teófilo Otoni, Minas Gerais, o loteamento de um empreendimento da Gran Viver foi iniciado, mas paralisado na fase de pavimentação, segundo o advogado Ramon Martins, que representa 40 famílias afetadas. “O loteamento encontra-se abandonado. As obras foram iniciadas, mas foram completamente paralisadas”, relata.

O Residencial Imperial, também investigado, é parte de uma emissão de CRI feita em 2023 pela empresa S&J Consultoria. As famílias que compraram os terrenos alegam que o projeto sequer teve obras iniciadas.

“Essas pessoas compraram a área onde seria esse residencial, seria uma área muito boa, havia uma especulação positiva em relação a isso. Existiram vendas consideráveis e havia uma promessa de entrega. A prefeitura de Jataí embargou esse residencial por questões ambientais, se for lá vai ver que nunca foi feita muita coisa, nunca abriram ruas, foi um trabalho insignificante”, afirma a advogada Ana Carolina Zanuzzi. Ela atual em 106 processos relacionados ao empreendimento.

Calotes e investigações em curso

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal investigam como os terrenos eram usados como fachada para movimentações financeiras. Os recursos captados nos fundos raramente retornavam para as obras, enquanto o Banco Master reportava um patrimônio inflado. De acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF), o montante de CRIs sob suspeita emitidos pela Base Securitizadora, controlada por César Reginato Ligeiro, chega a R$ 1 bilhão.

A estratégia de alocar recursos em fundos interligados foi apontada como mecanismo para mascarar os números e criar uma falsa percepção de solidez financeira. Enquanto isso, as famílias envolvidas encontram dificuldades para executar as dívidas, mesmo após decisões judiciais favoráveis.

O caso reforça como a especulação financeira pode gerar prejuízos sociais profundos, deixando terrenos abandonados e compradores sem perspectivas. As empresas envolvidas ainda não se manifestaram, e os processos continuam em andamento na Justiça.

*Com informações de O Globo

Marcela Guimaraes
Marcela Guimarães

editora/redatora

Jornalista colaboradora responsável pelo resumo do noticiário do dia. Tem 28 anos de experiência com atuação como repórter/editora (Estadão Broadcast, revistas piauí e GQ, rádio CBN e Portal Loft), além de atuar como editora-executiva/editora-chefe no SBT News e Curto News. Também foi apresentadora de TV (RIT), além de atuar como podcaster (Veja, Wired, Estadão Blue Studio)

Jornalista colaboradora responsável pelo resumo do noticiário do dia. Tem 28 anos de experiência com atuação como repórter/editora (Estadão Broadcast, revistas piauí e GQ, rádio CBN e Portal Loft), além de atuar como editora-executiva/editora-chefe no SBT News e Curto News. Também foi apresentadora de TV (RIT), além de atuar como podcaster (Veja, Wired, Estadão Blue Studio)