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Veja o resumo da notícia

  • A caderneta de poupança do SBPE teve captação líquida negativa de R$ 6,19 bilhões em setembro.
  • O resultado de setembro representa uma desaceleração no ritmo de saques em comparação com agosto.
  • O SBPE é uma das principais fontes de crédito habitacional, e sua queda afeta o financiamento de imóveis.
  • Apesar das saídas, a concessão de crédito imobiliário com recursos da poupança segue aquecida.
  • O saldo total da poupança SBPE encerrou setembro em R$ 755,80 bilhões, com leve recuo.
  • O acumulado do ano de 2026 apresenta melhora em relação ao mesmo período de 2025.
  • A CBIC solicitou ao Governo e ao Banco Central o adiamento do novo modelo do SBPE para 2027.
  • A reformulação do SBPE visa reduzir a dependência da poupança e buscar recursos no mercado financeiro.
Mão segura moedas e as coloca em cima de outras, empilhadas em direção a uma casinha. Imagem remete ao financiamento imobiliário ou a poupança de dinheiro para compra da casa própria.
SBPE tem quarta captação líquida negativa do ano, pressionando o mercado por outras fontes de recursos - iStock

A caderneta de poupança do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) apresentou queda no mês de setembro, com captação líquida negativa (ou seja, perda de recursos) de R$ 6,19 bilhões, segundo dados do BC (Banco Central) divulgados nesta sexta-feira (9).

Apesar de negativo, o resultado representa uma desaceleração no ritmo de saques em relação a agosto, quando a captação líquida havia ficado negativa em R$ 9,51 bilhões.

O sistema do SBPE representa uma das maiores fontes de crédito habitacional brasileiro. Quanto maior a sua queda, menor é a quantidade de recursos disponíveis para financiamento de imóveis.

Apesar do alívio pontual na comparação mensal, setembro marcou o quarto mês consecutivo de déficit no sistema, reforçando a pressão contínua sobre a principal fonte de funding do crédito habitacional. 

Apesar das saídas de recursos na caderneta ao longo do ano, a concessão de crédito imobiliário segue em ritmo aquecido. Dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) indicam que o crédito imobiliário com recursos da poupança somou R$ 132,5 bilhões entre janeiro e agosto de 2026. O volume representa crescimento de 37,5% sobre o mesmo período do ano anterior.

Depósitos e retiradas caem em setembro

Em setembro, os depósitos na poupança SBPE somaram R$ 293,15 bilhões, enquanto as retiradas alcançaram R$ 299,33 bilhões. A diferença entre as entradas e saídas resultou no déficit líquido de R$ 6,19 bilhões.

Na comparação com agosto, ambos os fluxos registraram recuo expressivo:

  • Depósitos: caíram de R$ 309,62 bilhões para R$ 293,15 bilhões (redução de 5,3%, ou cerca de R$ 16,48 bilhões); 
  • Retiradas: caíram de R$ 319,14 bilhões para R$ 299,33 bilhões (redução de 6,2%, ou cerca de R$ 19,81 bilhões). 

Como o volume de saques recuou com mais força do que o de depósitos (uma diferença a favor das contas de aproximadamente R$ 3,33 bilhões), a captação líquida apresentou uma melhora em relação ao mês anterior, passando de R$ 9,51 bilhões para R$ 6,19 bilhões.

FUNDING IMOBILIÁRIO JAN–SET / 2026

Poupança SBPE em 2026: Captação líquida mensal (jan–set)

Quatro meses seguidos de retirada líquida: -R$ 24,05 bi acumulados entre junho e setembro

Saídas Jun–Set -R$ 24,05 bi 4 meses de sangria contínua
Déficit no Ano -R$ 53,22 bi 11,4% menor que em 2025
Saldo em Setembro R$ 755,80 bi Rendimentos: +R$ 4,79 bi no mês
Período Resultado Contexto
1º Trimestre (Jan–Mar) -R$ 31,96 bi Pior mês: Jan (-R$ 18,81 bi)
Respiro (Abr–Mai) +R$ 2,80 bi Únicos meses positivos
Recaída (Jun–Set) -R$ 24,05 bi Sequência de 4 meses negativos
Fonte: Banco Central do Brasil

Os dados do BC indicam ainda que o rendimento creditado nas contas dos poupadores em setembro somou R$ 4,79 bilhões, ficando levemente acima dos R$ 4,76 bilhões observados em agosto.

Saldo total recua, mas se mantém acima de R$ 755 bilhões

O saldo total depositado na poupança SBPE encerrou o mês de setembro em R$ 755,80 bilhões, apresentando um recuo de 0,18% (cerca de R$ 1,40 bilhão) em relação aos R$ 757,19 bilhões registrados no fim de agosto.

Mesmo com a sequência de quatro meses negativos (junho a setembro), o estoque da poupança se mantém em patamar superior ao início do ano, quando encerrou janeiro em R$ 752,49 bilhões.

A remuneração mensal dos depósitos tem atuado como um amortecedor, evitando um desgaste mais severo no saldo total acumulado.

Acumulado do ano tem melhora frente a 2025

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, os depósitos no SBPE atingiram R$ 2,775 trilhões, frente a R$ 2,828 trilhões em retiradas. Com isso, o déficit acumulado no ano ficou em R$ 53,22 bilhões.

A melhora em setembro também fica evidente na comparação anual. Em setembro de 2025, o SBPE havia registrado uma perda líquida de R$ 11,72 bilhões. O déficit de R$ 6,19 bilhões observado no mesmo mês deste ano representa uma redução de 47,2% nos saques líquidos para o mês (uma diferença de R$ 5,53 bilhões a menos em perdas).

No acumulado dos primeiros nove meses, o resultado de 2026 atinge R$ 53,22 bilhões negativos, frente aos R$ 60,06 bilhões de saldo negativo registrados no mesmo período de 2025, uma “melhora” de 11,4%.

Diversificação do funding

O aperto no funding tradicional ocorre em meio à pressão das construtoras para adiar as mudanças estruturais no crédito habitacional. 

A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) solicitou ao Governo e ao Banco Central a prorrogação por mais um ano do período de testes do novo modelo do SBPE. Inicialmente, a vigência integral está prevista para janeiro de 2027, e o setor pede a manutenção do teto de juros de 12% ao ano.

Anunciada pelo Banco Central no fim de 2025, a reformulação reduz a dependência da poupança e força os bancos a buscarem mais dinheiro no mercado financeiro (via Letras Imobiliárias, por exemplo) para bancar os financiamentos.

A nova regra exige que 80% dos recursos sejam destinados a operações do SFH (Sistema Financeiro da Habitação). O receio do setor é que, como o dinheiro vindo do mercado é mais caro do que o da poupança, as taxas de juros cobradas dos compradores acabem subindo em momentos de Selic alta.

Clayton Freitas

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.

Clayton Freitas é jornalista há mais de 20 anos, com atuação em cidades, negócios, economia e mercado imobiliário. Já teve passagens por veículos como Forbes, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Veja São Paulo. É colaborador do Portas.