Skyline de São Paulo visto do Parque Ibirapuera, com prédios ao fundo refletidos no lago
Vista do parque Ibirapuera - cifotart / iStock
O mercado imobiliário brasileiro em agosto de 2026 apresenta dinâmicas opostas entre compra e aluguel. No mercado de venda e financiamento, os sinais são majoritariamente negativos: o desconto médio na venda bateu recorde histórico de 14%, bancos preveem maior restrição ao crédito no próximo trimestre e a poupança registrou saída de R$ 6,95 bilhões em julho. Essa perspectiva contrasta com o otimismo do ministro das Cidades, Vladimir Lima, que defendeu que o crédito imobiliário pode superar 20% do PIB — hoje está em 11% — com modernização e novas políticas habitacionais. Também como contraponto às más notícias na compra/venda, o Banco Central fez o 4º corte consecutivo da Selic, levando a taxa a 14% ao ano — sinalização positiva para o crédito, mas cujos efeitos ainda demoram a chegar ao comprador. No aluguel, a notícia é boa: a inadimplência recuou para 5,98% em agosto após três altas seguidas, e o acumulado no ano segue em 5,97%, acima da inflação.

Mercado de venda

O desconto médio na venda de imóveis bateu recorde em 2026: 14% no 2º trimestre, segundo o Raio-X FipeZap — igualando os níveis de 2016 e 2020. O dado sinaliza que o comprador tem poder crescente de negociação diante do estoque elevado, especialmente no médio e alto padrão. Em São Paulo, compactos concentram 70% dos lançamentos e 64% das vendas — enquanto o investidor que compra na planta para revender recua no alto padrão, pressionado por juros e excesso de oferta. No Rio, os lançamentos de luxo caíram 50,3% no 2º trimestre, mas as vendas seguem aquecidas.

Os preços residenciais subiram 0,46% em julho e acumulam 2,89% no ano — ainda abaixo da inflação de 3,43%, mas a diferença diminuiu. Vitória lidera com +8,82% no ano, seguida por Manaus (+8,43%) e Aracaju (+7%). São Paulo acumula apenas 1,70% e Porto Alegre registra queda. O estoque nacional de imóveis novos prontos soma R$ 38 bilhões, com 30.085 unidades sem comprador. O MCMV segue como contraponto positivo — a faixa 3 cresceu quase 50% no 1º semestre.


Crédito e habitação

O cenário de crédito combina sinais opostos. Os bancos já preveem maior restrição ao crédito imobiliário a partir do próximo trimestre, pressionados pela saída de R$ 6,95 bilhões da poupança SBPE em julho — quatro vezes mais que junho, revertendo a expectativa de recuperação do 2º trimestre. Ao mesmo tempo, o ministro das Cidades, Vladimir Lima, defendeu no Abecip Summit que o crédito imobiliário pode superar 20% do PIB — hoje em 11% — com modernização, novas políticas habitacionais e integração com o setor privado. São visões que não se contradizem: a restrição é conjuntural, a ambição é estrutural.

O Banco Central fez o 4º corte consecutivo da Selic, levando a taxa a 14% ao ano em agosto — o menor patamar desde março de 2025. O home equity bateu recorde: R$ 6,6 bilhões no 1º semestre, alta de 309%. O uso do FGTS em consórcios imobiliários cresceu 39%, movimentando R$ 215 milhões. A Caixa atingiu R$ 1 trilhão em crédito habitacional, com MCMV respondendo por 58,4%. O Santander passa a financiar até 90% do valor do imóvel em casos selecionados.


Mercado de aluguel

O aluguel residencial subiu 0,70% em julho, acumulando 5,97% nos primeiros sete meses de 2026 — 2,53 pontos percentuais acima do IPCA. Cinco capitais já superam 10% no ano: Aracaju (+16,12%), Campo Grande (+11,95%), Manaus (+11,04%), Fortaleza (+10,98%) e Natal (+10,72%). A boa notícia do mês vem da inadimplência: o índice da Loft, calculado com 500 mil contratos, recuou de 6,18% para 5,98% em agosto após três meses de alta — queda disseminada em todas as regiões do país, possivelmente associada à liberação de renda por programas de renegociação de dívidas.

No segmento comercial, o aluguel fechou o 1º semestre com alta de 6,82% — a maior desde 2013. A vacância de escritórios premium em São Paulo caiu para 13,1%, com 153 mil m² de absorção líquida no semestre. Em Florianópolis, studios chegam a R$ 27 mil/mês. O IGP-M caiu em julho, mas acumula 2,76% em 12 meses, corrigindo contratos com aniversário em agosto.


Construtoras e incorporadoras

A atividade da construção civil recuou no 1º semestre de 2026 — o índice encerrou o período em 46,4 pontos, pressionado por Selic alta, custos de materiais, escassez de mão de obra e confiança baixa. O desempenho operacional das construtoras, porém, conta história diferente: as de baixa renda, ancoradas no MCMV, impulsionam resultados, enquanto as de alta renda seguem afetadas pelos juros elevados. MRV e Cyrela reportaram lucros com custos crescentes. O setor projeta 2026 forte, mas já vê 2027 com cautela — Selic ainda elevada e custos de obra são os principais riscos citados.

Em São Paulo, o ciclo de 317 mil apartamentos em construção reflete lançamentos recordes em três anos consecutivos, com compactos dominando em volume. No médio e alto padrão, o estoque subiu para 26 meses de venda e o investidor especulativo recua. Investidores institucionais estão mais seletivos, com preferência pelo residencial econômico. No luxo, Balneário Camboriú empurra o mercado para cidades vizinhas.


Perguntas frequentes

Como está o mercado imobiliário hoje?

O mercado em agosto de 2026 apresenta dinâmicas opostas. No mercado de venda, os sinais são negativos: desconto médio recorde de 14%, bancos prevendo restrição de crédito no próximo trimestre e poupança imobiliária com saída acelerada. No aluguel, a notícia é boa: a inadimplência recuou para 5,98% em agosto após três altas seguidas, e o acumulado de 5,97% no ano segue acima da inflação. A Selic chegou a 14% (4º corte), mas os efeitos no crédito ainda demoram a se materializar.

2026 é um bom ano para comprar imóvel?

O desconto médio de 14% indica espaço crescente para negociação, especialmente no médio e alto padrão. Para o MCMV, as condições seguem favoráveis. Para o médio padrão, o ciclo de cortes da Selic melhora gradualmente o acesso ao crédito — mas os bancos sinalizam maior restrição à frente. Uma análise relevante: comprar antes de novos cortes pode ser vantajoso, pois quando o custo do financiamento cair, o preço do imóvel tende a subir — e a portabilidade permite refinanciar depois.

O aluguel vai continuar subindo em 2026?

A tendência de alta persiste, com um sinal positivo: a inadimplência recuou para 5,98% em agosto após três altas seguidas — queda em todas as regiões do país. O FipeZap registrou 0,70% em julho e o acumulado de 5,97% no ano supera a inflação em 2,53 pontos. Cinco capitais acumulam mais de 10%: Aracaju lidera com +16,12%. No comercial, a alta de 6,82% no 1º semestre foi a maior desde 2013.

Qual a previsão para a valorização dos imóveis em 2026?

Em julho, os preços subiram 0,46% e acumulam 2,89% no ano — ainda abaixo da inflação, mas a diferença diminuiu. O desconto médio de 14% nas vendas sugere que o mercado está mais favorável ao comprador. Vitória (+8,82%), Manaus (+8,43%) e Aracaju (+7%) lideram. O ciclo de cortes da Selic tende a sustentar preços no 2º semestre, especialmente no segmento popular e fora do eixo SP-RJ.

Fábio Takahashi

Editor-executivo do Portas. Jornalista e gerente de dados da Loft desde 2021, trabalhou por 18 anos na Folha de S.Paulo, como repórter e editor da equipe de jornalismo de dados. É diretor da fellowship sobre primeira infância para jornalistas brasileiros do Global Center For Journalism and Trauma. Foi consultor de dados da Sala Digital, iniciativa do Grupo Bandeirantes em parceria com o Google; Spencer Fellow, programa de jornalismo educacional na Universidade Columbia (NY); co-fundador e presidente da Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação).

Editor-executivo do Portas. Jornalista e gerente de dados da Loft desde 2021, trabalhou por 18 anos na Folha de S.Paulo, como repórter e editor da equipe de jornalismo de dados. É diretor da fellowship sobre primeira infância para jornalistas brasileiros do Global Center For Journalism and Trauma. Foi consultor de dados da Sala Digital, iniciativa do Grupo Bandeirantes em parceria com o Google; Spencer Fellow, programa de jornalismo educacional na Universidade Columbia (NY); co-fundador e presidente da Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação).